Cirurgia Bariátrica

A obesidade é hoje reconhecida como um problema de saúde importante, afetando uma crescente porcentagem da população adulta. O número e a variedade de dietas, os clubes e academias de ginástica, os centros de tratamento de obesidade com terapias alternativas, e o uso de drogas que diminuem o apetite testemunham a grande dificuldade que existe em perder peso. Muitas destas técnicas podem ter sucesso na perda de peso. Todavia, em pacientes com obesidade mórbida ou com IMC (Índice de Massa Corpórea) acima de 40, a manutenção do sucesso destas terapias é muito baixa a longo prazo.

Download de informações sobre Cirurgia Bariátrica

Calculadora IMC

O que é IMC?

O IMC - Índice de Massa Corpórea é um número que permite a classificação dos diferentes tipos de obesidade. É obtido pela divisão do peso em kg, pela altura ao quadrado do paciente (faça o seu cálculo na calculadora no alto da página).

IMC = Peso : (Altura X Altura)

CLASSIFICAÇÃO DA OBESIDADE DE ACORDO COM IMC

  • ATÉ 25 NORMAL
  • ATÉ 30 SOBREPESO
  • ATÉ 35 OBESIDADE LEVE (GRAU I)
  • ATÉ 40 OBESIDADE MODERADA (GRAU II)
  • MAIOR QUE 40 OBESIDADE SEVERA (GRAU III)

O que é obesidade mórbida?

Você é obeso mórbido se tem IMC maior que 40 kg/m2. O excesso de peso tem efeitos negativos sobre o organismo, e costuma ser melhor tolerado quando o paciente é mais jovem.

A obesidade mórbida causa ou acelera o desenvolvimento de doenças como diabetes, hipertensão, arteriosclerose, artrose, infarto do miocárdio, doenças pulmonares, hérnias de diferentes tipos, formação de varizes nas pernas, doenças dermatológicas, câncer e infertilidade.

A obesidade mórbida também aumenta as complicações na gravidez, em cirurgias, e parece favorecer o aparecimento de câncer de intestino, além de mama e útero nas mulheres. Já foi verificado que pacientes com obesidade mórbida têm um risco de óbito várias vezes maior que outros pacientes da mesma faixa etária.

Equipe multidisciplinar

Antes de ser submetido à cirurgia, você será informado exaustivamente sobre o procedimento a que será submetido. A conversa com outros pacientes que foram submetidos à mesma cirurgia deverá acontecer nas reuniões periódicas com a equipe e são muito importantes. Se houver qualquer dúvida, traga-as à consulta por escrito, para que sejam resolvidas antes da cirurgia. Quando você se decidir pela operação serão realizados vários exames pré-operatórios, e você será encaminhado para avaliação com os seguintes especialistas, e pode ser necessário que algum desses profissionais solicite algum tratamento específico antes da cirurgia.

  • Psicólogo/psiquiatra - para preparo pré-operatório, principalmente relacionado com sua capacidade em lidar com as mudanças que a cirurgia vai ocasionar, e acompanhamento pós-operatório, eventualmente em grupos com outros pacientes operados. Qualquer paciente só será operado após avaliação, preparo e liberação por escrito deste profissional.
  • Nutricionista - é quem vai preparar e acompanhar a alimentação pós-operatória e eventualmente ajudar na perda de peso antes da cirurgia.
  • Endocrinologista - vai acompanhar as mudanças no seu metabolismo e determinar se há necessidade de algum exame ou tratamento específico antes e depois da cirurgia.
  • Anestesiologista – a equipe de anestesia responsável pela sua anestesia deve ser consultada nos dias que antecedem a cirurgia, com todos os exames em mãos e os nomes das medicações que esteja usando.
  • Cardiologista, pneumologista ou outros especialistas específicos que forem necessários.

É muito importante que o paciente e sua família saibam que:

  • o uso de qualquer medicação deve ser informado à equipe médica;
  • pode ser solicitado que o paciente perca peso antes da cirurgia como forma de facilitar a realização da cirurgia e diminuir os riscos de complicação, além de mostrar o empenho e adesão ao tratamento multidisciplinar.
  • o procedimento cirúrgico é apenas parte de um processo de perda de peso e diminuição de risco de doenças relacionadas à obesidade, e portanto ainda depende de alguma disciplina e esforço pessoal, principalmente na adaptação de hábitos alimentares e de atividade física;
  • existem riscos inerentes à cirurgia, e que esses riscos normalmente se elevam de acordo com o número de doenças associadas que o paciente tem;
  • a principal finalidade da cirurgia não é a estética, mas a diminuição das doenças e da mortalidade associada à obesidade mórbida;
  • é frequente que ocorra algum tipo de dor nas incisões durante algumas horas após a cirurgia;
  • é necessário preparo multidisciplinar pré-operatório e acompanhamento pós-operatório para que os riscos de complicações sejam minimizados, principalmente em relação à problemas nutricionais como desnutrição e/ou re-ganho de peso, além, de distúrbios psicológicos/psiquiátricos, como ansiedade e depressão pós-operatórias, que podem comprometer muito a melhora na qualidade de vida.

Preparo pré-operatório

Quero expressar uma experiência que tive em meu consultório, e que me fez pensar, refletir de várias formas, e querer compartilhar com todos sobre a importância do pré-operatório. Desta forma, espero poder contribuir para conscientizar as pessoas que buscam fazer a Cirurgia Bariátrica. Numa manhã, uma paciente obesa me procurou para consulta e orientação quanto à Cirurgia Bariátrica.

Com menos de 15 minutos de sessão, ela tirou um papel da bolsa, e disse que tinha me procurado para assinar o laudo do convênio. Expliquei como funcionava o nosso trabalho de equipe, o tempo e o número de sessões proposto no pré-operatório. Também orientei a paciente que não poderia assinar apenar por assinar. Mesmo porque temos um trabalho regrado e vinculado à equipe multidisciplinar, e que trataria com todos da equipe sobre seu caso. A paciente não entendeu tal situação, e foi ficando nervosa e irritada. Tentei acalmá-la, e explicar a importância do preparo psicológico e nutricional, porém era em vão. Ela não me ouvia. Alterada em sua indignação não escutava uma só palavra que eu dizia, somente me pressionava para que eu fizesse e assinasse o laudo já que ela estava pagando a sessão. Peço que leia atentamente, principalmente se pensa em fazer a Cirurgia Bariátrica. Venho dizer a você essas palavras: Esta cirurgia não é uma cirurgia qualquer, é uma decisão séria. Seja qual for a técnica que seu médico irá usar, são todas elas procedimentos invasivos e causam mudanças no organismo, no metabolismo, no comportamento alimentar e no sistema digestivo, além das mudanças psicológicas. Não vá pela aparência ou pela vaidade. A cirurgia não é estética. Ela faz parte de toda uma mudança, principalmente na forma de se alimentar.

A cirurgia não é um milagre, e muito menos mágica. Não vai resolver todos os seus problemas emocionais. O sucesso vem do seu esforço, da sua força de vontade, e principalmente da sua disciplina no dia a dia em querer mudar o seu estilo de vida. Trabalho com o Preparo Psicológico de candidatos a Cirurgia Bariátrica desde 2006, e quero conscientizá-lo que essa mudança na sua vida não se resume apenas a um papel, ou a uma sessão com a psicóloga. É preciso que seja feito um trabalho de orientação, conscientização, treino do comportamento alimentar, e desenvolver minimamente o auto-controle e aprender a lidar com a ansiedade e com as frustrações, sem descontar na comida. A mudança é radical, e especialmente no primeiro mês, você vai ter que aprender a comer novamente.

Além disso o paladar pode mudar, a imagem corporal que tem de si, também muda com o tempo. A pessoa que opera vai precisar de estruturas psicológicas para se adaptar à nova vida. Vai ter que aprender a comer da maneira correta, como talvez nunca tenha feito antes. Caso contrário, terá problemas no futuro. Aqueles pacientes obesos que apresentem comportamentos ou transtornos compulsivos necessitam mais ainda da ajuda do psicólogo e do psiquiatra durante o preparo, mas principalmente depois de operado. O acompanhamento terapêutico que pode durar até vários anos, irá ajudar a prevenir outros problemas psicológicos. Depois de operado a compulsão na alimentação melhora, porém pode se desenvolver ou deslocar em outras formas, tais como: bulimia, compras desnecessárias, alcoolismo, dentre outros. Pesquise antes de tomar qualquer decisão. Leia, converse com pessoas que já fizeram, aprenda com elas os erros que cometeram, e tente fazer a diferença na sua vida. Sinta a competência e a confiança da equipe com quem irá fazer a sua cirurgia.

Dê preferência para profissionais especializados e que trabalham em equipe. Todos têm que estar integrados e focados no seu sucesso. Graças a Deus, nas mãos de excelentes médicos que temos por todo o Brasil, mortes existem, porém o número é muito pequeno!!! Uma vez que tomada a decisão, não haverá espaço para o arrependimento.

Não acredite em coisas fáceis, propagandas enganosas, e muito menos em profissionais que estejam mais preocupados em comercializar a cirurgia do que com o sucesso do paciente. A sua vida é única! É uma pena que alguns pacientes ainda acreditam que a cirurgia seja uma solução para todos os seus problemas. Muitos deles a fazem sem preparo nenhum e acabam, por indisciplina ou falta de orientação, tendo complicações graves no pós-operatório ou o re-ganho de peso. Outro fator importante que pretendo abordar com tristeza, é o empenho de muitos pacientes durante o preparo.

No meio de tantas orientações, e exercícios, treinamentos para fazer em casa, acabam deixando que o vício do alimento fale mais alto, fazendo despedidas de comida ou não aderindo ao preparo. Nós, profissionais, durante o processo criamos vínculos com o paciente no sentido de que ele obtenha sucesso. Mas não temos qualquer controle do paciente, especialmente, da porta para fora do consultório. Não feche seus olhos diante da ansiedade de operar. Não deixe os impulsos dos desejos falarem mais alto que a sua consciência.

Tenha tempo para conhecer melhor tudo sobre a Cirurgia Bariátrica. Não tenha pressa para fazer. O desejo e empenho de mudar têm que vir de dentro de você. Muito mais forte que a preocupação para emagrecer, muito mais forte que ceder as vontades e desejos aos alimentos saborosos, o emagrecimento saudável e duradouro virá da sua força de vontade em querer mudar todo o comportamento alimentar. Faça desta cirurgia uma aliada para a vida, e não apenas mais uma tentativa para emagrecer. Esteja disposto a mudar de vida, já no preparo.

Faça várias sessões quantas forem necessárias com psiquiatra, psicóloga, nutricionista, até que haja uma boa segurança na mudança do comportamento alimentar para o resto da sua vida. Se Deus colocou esta cirurgia na sabedoria dos homens, foi para que ela ajudasse muitas pessoas obesas a aliviar seu grande sofrimento. Não deixe que o papel seja mais importante do que a sua vida. O investimento que você irá fazer durante o preparo pode ser maior que o desejado, mas lhe trará grandes benefícios e sucesso!!! Lembre-se é a sua maior chance para mudar!!!

Tipos de cirurgia

As cirurgias para o tratamento da obesidade mórbida podem ser divididas em três grupos: cirurgias de restrição gástrica, cirurgias de má absorção, e cirurgias que combinam a restrição gástrica e algum grau de má absorção. Estas técnicas foram desenvolvidas nas últimas décadas e todas são efetivas - em maior ou menor grau - para o controle da obesidade mórbida.

GASTRECTOMIA VERTICAL (OU “EM MANGA” OU SLEEVE GASTRECTOMY)

A gastrectomia vertical (ou “em manga”) é uma técnica mais recente que traz uma perda de peso em geral melhor que a banda gástrica. Também é uma técnica restritiva já que permite que apenas pequenas quantidades de alimento ocupem o estômago. Não há componente de malabsorção, o que faz com que a chance de perda de nutrientes a longo prazo seja quase desprezível. Tecnicamente é simples e pode trazer grandes benefícios a uma parcela da população obesa. No entanto tem com grande inconveniente ser irreversível, já que boa parte do estômago é retirada.

GASTROPLASTIA COM Y DE ROUX (OU TÉCNICA DE FOBI-CAPELLA)

A gastroplastia vertical e by-pass gástrico em Y de Roux (técnica de Fobi-Capella) é o método mais utilizado no mundo e também pela equipe do Instituto Pró-Gastro para a obtenção de perdas de peso. Chega a médias de 40% de perda do peso inicial. A quantidade de comida que pode ser ingerida é limitada. Os alimentos não têm contato com o restante do estômago e há menos tolerância para ingerir açúcar. É a cirurgia mais utilizada e mais efetiva para a obesidade mórbida, já que permite a redução satisfatória e duradoura do peso. Clique aqui e veja a animação dessa cirurgia

COMO ESTA CIRURGIA AJUDA A PERDER PESO?

Quando se restringe o volume do reservatório gástrico, também diminui a quantidade de alimentos que poderá ser ingerida. A pequena bolsa criada no estômago produz uma sensação e satisfação quando cheia. O enchimento dessa bolsa com pequenas quantidades de alimentos produz a mesma sensação de plenitude, que havia antes, quando se preenchia todo o estômago com grandes quantidades de alimento. Quando se associa uma técnica que provoque má absorção de alimentos cria-se alterações intestinais que fazem com que não haja absorção de uma parte dos alimentos que chegam ao intestino. É um dos motivos por que com esta técnica de diminuição do estômago e by-pass intestinal, a perda de peso é maior do que somente a colocação da banda gástrica ajustável ou gastrectomia vertical. Mesmo com a restrição, pode ocorrer uma sensação desagradável se houver ingestão de líquido com alto teor de calorias – como açucares, bolachas, massas e recheios - o que na linguagem médica é conhecido como síndrome de dumping.

QUAIS SÃO OS OBJETIVOS DA CIRURGIA?

  • Diminuir (ou curar) doenças associadas à obesidade
  • Perda de peso confiável e duradoura
  • Tratamento de obesos mórbidos que tenham falhado em perder peso com dietas, exercícios e medicações
  • Restaurar a vida ativa e saudável
  • Melhorar a qualidade de vida

Antes e depois da cirurgia

PLANEJAMENTO

Tempo de internação habitual: 2-3 dias

  • Se você mora a mais de uma hora de carro de Campinas, será solicitado que você providencie um local mais próximo nos dias após a alta hospitalar (pode ser um hotel ou casa de amigos ou parentes);
  • Planeje-se para que alguém esteja disponível para transportá-lo para casa - ou outro lugar após o período de internação hospitalar.

INDO PARA O HOSPITAL

  • Pare de fumar pelo menos um mês antes da cirurgia. Sem isso sua cirurgia não vai ser realizada. É fundamental para melhorar capacidade respiratória e diminuir riscos de pneumonia, trombose, embolia pulmonar e outras complicações evitáveis.
  • Esteja em jejum absoluto (inclusive água) nas 12 horas que antecedem a cirurgia;
  • Deixe seus objetos de valor em casa;
  • Não esteja usando maquiagem, esmaltes ou jóias no hospital;
  • Próteses dentárias, anéis, óculos, lentes de contato ou aparelhos de surdez deverão ser retirados antes da cirurgia;
  • Chegue no hospital antes da hora planejada. Frequentemente ocorrem atrasos nos procedimentos de internação por vários motivos ou adiantamentos nos horários de cirurgias, e é bom que você já esteja lá.
  • Se estiver usando alguma medicação, é bom que nos avise nas consultas para avaliarmos se é necessário suspendê-la antes da cirurgia.
  • Quando você estiver pronto para receber alta, as últimas orientações de enfermagem serão dadas, e quem fará o seu transporte será chamado.

O que levar?

  • Artigos de banheiro
  • Camisola e/ou pijama ABERTOS NA FRENTE para facilitar curativos e exames do abdome
  • Peças íntimas confortáveis
  • Chinelo
  • Toalha de banho
  • Um par de meias elástica 3/4 (até o joelho) ou 7/8 (até a coxa) de média compressão, ou as meias de compressão pneumática.
  • Um Respiron®, que irá ajudar na fisioterapia respiratória (junto com a meia, podem ser encontrados em casas cirúrgicas, mas a nossa equipe do Instituto Pró-Gastro poderá ajudá-lo nessa aquisição).

NO HOSPITAL

Momentos antes da hora de sua operação você sairá de seu quarto para o centro cirúrgico. Antes de ir para a sala de cirurgia você poderá ser colocado por alguns instantes na sala de recuperação até que a sala esteja limpa e montada para sua cirurgia. Nesse momento ou logo que você chegar à sala de cirurgia, um profissional de enfermagem, ou mesmo o anestesista deverá vir para pegar sua veia para a anestesia. Na sala de cirurgia o anestesista fará você dormir com injeções na veia. Daí em diante, você não deve se lembrar de mais nada. A anestesia geral é muito segura e um anestesista ficará sempre ao seu lado. A cirurgia dura menos de 2 horas. Quando você acordar, já na sala de recuperação, enfermeiras estarão ao seu lado com vários equipamentos, isto é normal. Após cerca de 2 horas você será conduzido novamente ao seu quarto. Assim, o tempo entre entrar no centro cirúrgico e voltar para o quarto raramente dura menos que 5 horas Você poderá notar um dreno na barriga, que ficará por alguns dias e serão retirados sem qualquer dor. É importante que você procure logo se mover, e andar quando solicitado. Tossir e respirar profundamente são importantes para o seu pulmão, limpando o muco que se desenvolve no tempo da anestesia. O Respiron® deve ser usado nesse momento. Você poderá ser auxiliado neste momento por um(a) fisioterapeuta. Após 2 ou 3 dias sua recuperação já deve ser suficiente para que você tenha condições de alta sem qualquer problema.

APÓS A INTERNAÇÃO

Quando você retornar para casa, você deverá estar andando por si só, porém, sem exagerar. Se você seguir estas orientações nas primeiras semanas, você não terá problemas para adaptação.

  • Banho de chuveiro pode ser tomado sem problemas após a cirurgia. Deixe para tomar banhos de banheira ou ir à piscina após a incisão estar já bem cicatrizada. As incisões cirúrgicas devem ser lavadas com água corrente e sabonete, e em seguida deve ser seca. Se for necessário trocar curativo, faça após o banho.
  • Andar o máximo possível sem ficar excessivamente cansado. Você deve iniciar com 10 minutos e aumentar a distância que você anda progressivamente a cada dia, em torno de 1 minuto por dia. Após 40 dias da cirurgia, deve ser possível andar 2 a 3 km por dia.
  • Se tiver carro poderá dirigi-lo assim que se sentir seguro e sem dor, após pelo menos 10 a 15 dias da cirurgia.
  • Procurar ver sempre a cor da urina. Se estiver muito amarela ou mais escura e concentrada, ingerir mais líquidos para evitar problemas renais. A quantidade mínima necessária de líquidos após a cirurgia deve ser aquela que deixa sua urina bem clara. Se isso não for possível, vá ao pronto-socorro do hospital em que operou e peça que avisem alguém da equipe assim que for atendido pelo médico plantonista. Pode ser necessária reposição com soro na veia ou eventualmente internação.
  • Após pelo menos 20 dias da cirurgia, e com a incisão bem cicatrizada, massagem tipo drenagem linfática pode ser iniciada.
  • Mantenha as suas medicações nas doses habituais. Não deixe de tomar remédios para diabetes, hipertensão, etc, sem que seu médico clinico, cardiologista ou endocrinologista tenha conhecimento e recomende que você faça isso.
  • Lembre-se que a alimentação após a cirurgia é o passo de adaptação mais importante de todo o processo, e vai ser orientada única e exclusivamente pela equipe, portanto não deixe de visitar a nutricionista sempre que for solicitado.

O QUE VOCE NÃO DEVE FAZER

  • Subir escadas, somente quando for absolutamente necessário
  • Levantar objetos, crianças pesadas, nos primeiros dias
  • Voltar ao trabalho sem a orientação da nossa equipe
  • Ficar sentado ou deitado na mesma posição por longos períodos de tempo
  • Ficar sem beber água ou se alimentar

ACOMPANHAMENTO MÉDICO

Você deverá voltar ao consultório com uma freqüência estabelecida, até que o espaçamento das consultas aumente. E então você deverá ser visto pela equipe ao menos uma vez por ano pelo resto de sua vida. Para qualquer dúvida ou problema que tiver deverá comparecer ao consultório ou ao pronto-socorro a qualquer hora - e solicitar que sejam avisados os membros da nossa equipe médica. Serão solicitados vários exames em vários momentos após a cirurgia para controle do metabolismo e para comparação com os exames pré-operatórios.

A ALIMENTAÇÃO E A PERDA DE PESO

Ingerindo alimentos nos horários normais de refeição, a quantidade de alimentos ingeridos diariamente irá decrescer significativamente e a perda de peso ocorrerá gradualmente. Para obter maior sucesso você deverá escolher os alimentos e estabelecer um horário adequado para as refeições. No primeiro mês a perda de peso deve estar próxima de 10% do peso total, e depois desacelera, até estabilizar após cerca de 18 meses. Nesse período de equilíbrio, você poderá estar com o peso ainda um pouco acima do seu peso ideal. Entretanto, se você se esforçar fazendo exercícios diários, caminhadas e ginásticas, você poderá chegar mais próximo ideal. A média de perda de peso que ocorre é entre 35% e 40% do peso original antes da cirurgia, ou acima de 50% de perda do excesso de peso. Para aqueles pacientes que ficam com excesso de pele após o emagrecimento, são recomendadas cirurgias plásticas, que serão realizadas após, pelo menos, 18 meses da cirurgia de obesidade, após avaliação da equipe de Cirurgia Bariátrica.

O QUE MUDA APÓS A CIRURGIA?

  • Queda de cabelo - pode ocorrer alguns meses após a cirurgia. É transitório e normalmente melhora espontaneamente, principalmente com alimentação adequada orientada pela nutricionista.
  • Volume da alimentação - você passará a se alimentar com um volume de comida muito menor. No começo pode haver uma certa dificuldade a se adaptar. Principalmente porque sua fome deve diminuir rapidamente, mas o hábito de comer pode ainda permanecer.
  • Atividades físicas - com menos peso você poderá praticar atividades físicas que antes não seriam possíveis, e isso ajuda muito na manutenção da saúde.
  • Riscos de doenças - Se você tem diabetes ou hipertensão arterial, a chance de essas doenças deixarem de existir é muito grande. O mesmo acontece com as outras doenças associadas à obesidade, como aumento de triglicérides e colesterol. Se você não tem, a chance de elas ocorrerem também diminui consideravelmente, a ponto de diminuir o risco de óbito após a cirurgia em até 15 vezes.
  • Contracepção – Nos dois primeiros anos após a cirurgia o anticoncepcional oral ou injetável deve ser evitado como método anticoncepcional, porque devido à perda de peso rápida, a distribuição de hormônios fica muito comprometida e ele deixa de ser eficaz. Após a cirurgia o melhor método deve ser discutido com seu ginecologista, e pode incluir preservativos, DIU, entre outros.
  • Gravidez - não é proibido engravidar, mas como a cirurgia bariátrica pode trazer deficiências de vitaminas e sais minerais a longo prazo, recomenda-se que a gestação ocorra após a estabilização da perda de peso, ou seja, após cerca de 18 meses, sempre com acompanhamento médico conjunto entre a equipe de cirurgia e seu obstetra. Se estiver planejando engravidar, entre em contato para que para que se possa adequar as vitaminas necessárias antes da gestação. Se a gravidez não foi planejada, avise assim que souber.
  • Para evitar problemas futuros, serão prescritas algumas medicações por um certo período após a cirurgia, e complementação com vitaminas pelo resto da vida.
  • Medicação habitual. É esperado que sua necessidade de medicações para diabetes e hipertensão diminua muito, ou até mesmo não exista após algumas semanas da cirurgia, mas quem vai decidir sobre isso é a equipe médica (em conjunto com seu médico pessoal, se for o caso). Portanto, não mude a dosagem das medicações sem avaliação médica.
  • Auto-estima - como você passará a ter um peso mais próximo do normal, todas as atividades poderão ser realizadas como qualquer outra pessoa. Você deve passar a se sentir mais agradável à vista das pessoas e à sua própria. A auto-estima fica elevada, melhorando o relacionamento pessoal.

Riscos e complicações da cirurgia

Em qualquer tipo de cirurgia há um risco de complicações e mesmo de mortalidade. Entre os mais frequentes, estão:

  • Infecção da ferida cirúrgica - ocorre raramente. São usados antibióticos preventivos e banhos com antissépticos específicos para evitá-la.
  • Hérnias abdominais são complicações tardias e que exigem correção cirúrgica. Estão mais relacionadas à presença de infecção na ferida. Normalmente pode ser corrigidas no mesmo tempo cirúrgico da plástica do abdome, após vários meses da gastroplastia. São praticamente inexistentes nas cirurgias por laparoscopia.
  • Ocorrência frequente de vômitos e diarréias, que podem se tornar um problema ao comer certos tipos ou quantidades de comida.
  • Obstrução do reservatório gástrico por alimentos sólidos não mastigados adequadamente.
  • Obstrução intestinal pode ocorrer, havendo necessidade de nova cirurgia.
  • Formação de coágulos nas veias, normalmente das pernas - Trombose venosa profunda - que podem se desprender e migrar para qualquer local do corpo. Dependendo do local onde ele se aloja pode resultar edema ou feridas temporárias ou permanentes, dificuldade para respirar (embolia pulmonar) e até a morte. Apesar de todos os cuidados na prevenção, com uso de anticoagulantes, fisioterapia respiratória e sair da cama precocemente para caminhar após a cirurgia, ainda assim pode ocorrer com frequência muito baixa, menor que 1% dos pacientes.
  • Úlceras podem ocorrer principalmente em fumantes ou pessoas que ingerem álcool excessivamente.
  • Hemorragia intra-abdominal (no interior do abdômen) ou vazamento de líquidos do estômago ou intestinos para a cavidade abdominal, para outros órgãos ou através da pele (fistulas). Por esses motivos pode ser necessária re-operação e nenhum paciente deve se submeter à cirurgia da obesidade se não estiver preparado a aceitar essa possibilidade.
  • Falha na perda de peso. Raramente ocorre, e costuma estar relacionada aos hábitos alimentares após a cirurgia. Pode, raras vezes, ser considerada falha da cirurgia.
  • Insuficiências de órgãos como coração, rins, fígado, pulmões, em casos extremos.
  • Problemas psiquiátricos, como depressão, ansiedade, anorexia e bulimia podem ocorrer após a cirurgia.
  • Mortalidade menor do que 0,5%. É semelhante a outros procedimentos cirúrgicos no abdome de um obeso mórbido.